quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Um novo primeiro

Em alguns minutos vou entrar em uma nova fase da minha vida. Literalmente.
Há exatamente um ano escrevi um texto sobre o sofrimento e a excitação que perneiam a volta às aulas, no dito cujo, dissertei sobre a monotonia que o ato de ir à escola me trazia. Estava entediada! Quando a vida iria realmente começar pra mim? Mal sabia eu que um ano depois estaria aqui escrevendo novamente sobre um primeiro dia de aula, só que dessa vez a vida já teria começado.
Naquela época, reclamei da proximidade de meu quarto com minha antiga sala de aula cheia de concreto exposto, os mesmos professores e colegas com suas mesmas idiossincrasias me davam nos nervos e sentia uma necessidade palpável de algo novo que me tirasse do eixo. Entretanto, continuava um pouco ansiosa, mesmo que fosse só para constatar aquilo que eu já sabia: tudo estava igual. 
Agora, um ano depois vejo que morar a cinco minutos da escola é um grande privilegio assim como os azulejos ausentes nas paredes e as manias tão autenticas dos meus antigos colegas. Eu não entendia, mas o fato de ir para onde a gente sabe que vai ser bem acolhido faz o friozinho na barriga diminuir um pouquinho, mas também traz uma sensação de paz indescritível. Se soubesse que sentiria tanta falta dos falatórios ininterruptos da minha turma e das dez horas de aula por dia, teria reclamado menos. Afinal, era a volta às aulas, o retorno para o meu lugar de sempre, onde todos me desejam bom dia e meus professores, tão amados e odiados, sabiam meu nome de cor.
A música que toca no rádio não é a mesma nem minha favorita, mas não me importo com isso. Desço do carro meio a contra gosto. Faltam meia hora para meu primeiro dia de aula efetivamente começar, minha mente está um caos: dividida entre sair correndo dali e correr em direção aquele prédio que não tem nenhum azulejo faltando. Ah, como sinto falta daquela mesmice de antes! 
Ninguém sabe meu nome ou que minha casa, agora, fica a uma hora e meia de distancia da minha nova sala de aula. Meus colegas antes tão familiares estão a quilômetros de distancia de mim, não há manias das quais reclamar. Vejo que minha nova escola (que na verdade é a faculdade) é tão cheia de vida e possibilidades que ainda não sei como lidar, assim como meus futuros colegas não fazem ideia que quem sou, eu não faço ideia de quem eles são. Como e difícil não conhecer a história daqueles que irão fazer parte da nossa vida daqui pra frente. As borboletas antes tão calmas em meu estomago dão lugar ao caos da ansiedade, pois (finalmente!) depois de anos acostumada com os mesmos primeiros dias de aula estou tendo um novo primeiro.
Converso com pessoas novas em um lugar nada familiar, a possibilidade perfeita para ser uma nova pessoa (tudo que mais ansiei no ano anterior), mas a cada palavra trocada desejo que um dos meus amigos apareça ao meu lado e me faça lembrar daquela que eu sempre fui. Vejo os outros colocando as novidades em dia e sinto uma inveja enorme! Nunca senti tanta vontade de compartilhar minhas férias com meus colegas.
A primeira aula começou, seguida da segunda e terceira. Pronto, o dia acabou. Chego na quadra e vejo uma multidão reunida para dar boas-vindas para quem acabou de chegar (eu!eu!), não conheço ninguém ao meu redor, mas pela primeira vez naquele dia não me senti totalmente perdida. Sobrevivi ao primeiro dia, uma nova fase começou, continuo morrendo de medo de não me encaixar, mas quer saber? Nunca estive tão feliz na vida. Mal posso esperar pelos próximos, afinal ainda falta muita história para compartilhar com meus futuros amigos e muita novidade para colocar em dia com meus antigos. 

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