Saudade.
Essa palavra só exite no vocabulário da língua portuguesa! Não me venham com invenções dizendo que "I miss..." é a mesma coisa, "sentir falta" não é igual saudade. Saudade é saudade.
Só que, sempre que alguém diz estar com saudade, está falando de algo que aconteceu no passado. Saudade daquele aniversário na casa da sua vó, saudade do fim de semana na praia, saudade do seu pai te colocando nos ombros, saudade dos amigos de infância, saudade da amiga que mora no Rio, saudade de quem você jurou que nunca ia lembrar mais. Não sei, só saudade. Aquela vontade chata que aperta o peito e te leva na maior viagem no túnel do tempo nos momentos do filme, no qual, o protagonista é você.
Então, em uma tarde de sábado, você percebe que tem saudade de outra coisa. Não é da família que ficou em São Paulo, do gato da sua vó, não é da viagem de formatura. Você tem saudade do futuro. Tem saudade daquilo que nunca viu, mas tem certeza, absoluta -perdoem o pleonasmo- de que vai acontecer.
Saudade do desconhecido, assim que eu chamo.
Você diz, mais de uma vez e pra quem quiser ouvir, que gosta de ficar sozinho, se acostumou com o silêncio. Blé... Tudo balela. Naquelas tardes de sábado você se pega pensando naquele desconhecido que te dá saudade, naquela vontade de ter logo tudo aquilo que você acredita existir. Não é possível viver sozinho nesse mundo! Ele é grande demais, e no fundo no fundo, a gente só descobre quem é de verdade quando encontra algo que nos reflita, tipo um espelho. O silêncio te ajuda a contemplar e refletir, mas a gente sempre vê melhor a vida quando o ângulo é diferente. E esse diferente ainda é desconhecido.
Não me chame de boba, não estou aqui fazendo apologia aos Contos de Fadas e esperando sentada o destino me tirar de dentro do castelo, nem acreditar no destino acredito. Mas, no meu desconhecido sim. Ele está logo ali escondido e, quem sabe, sem fazer a menor ideia que eu também tenho saudade dele. Faço aqui um apologia à esperança e ao amor, não me refiro só aos relacionamentos, aqui quero explicitar meu apoio à vida. A dita cuja que é tão pouco compreendida, dê uma chance para ela te surpreender e te levar em direção ao desconhecido.
Em um outro texto, falei sobre bifurcação e nesse daqui acabei falando delas também. O desconhecido de quem você tanto sente falta está em um daqueles caminhos, você tem apenas que escolher.
Ah... Não tem problema se for o errado, sempre tem tempo de voltar a trás.
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