sábado, 19 de janeiro de 2013

Confiança

Não sou dada a confiança. Isso não quer dizer que sou a desconfiada que olha para trás a cada 5 minutos, só não consigo confiar plenamente em ninguém. Nunca consegui e vai ser difícil um dia isso mudar.
A questão é que nunca houve uma grande decepção em minha vida, mas essa auto-proteção é uma forma de me prevenir de despencar do alto das ilusões. Posso estar errada, devo estar -por favor, tomara que esteja-, mas não consigo mudar isso.
É claro que algumas atitudes me fizeram repensar esse meu jeito pouco aberto, só que logo depois desse momento de surpresa acontece algo que me faz voltar dois passos pra trás em detrimento do primeiro que dei para frente. É sobre isso que preciso falar, ou melhor, escrever sobre.
Quando se é filha única a gente aprende na marra a ser sozinha. Não adianta dizer que tem primos próximos e amigos que substituem um irmão, não é a mesma coisa, nunca vai ser. Na minha amada infância meus pais sempre fizeram de tudo para que não me sentisse sozinha e me tornasse uma criança isolada, os agradeço todos os dias por isso, mas ter minha própria companhia me fez ver tudo por um ângulo diferente e isso me moldou como pessoa.
A questão é que em uma dessas tentativas realmente me apeguei a minha nova companhia, ganhei um irmão por conveniência e, porque não dizer, convivência. O tempo passou e cresci me sentindo privilegia por ter o melhor da companhia das pessoas, ou seja, não ficava sozinha, mas tinha meu tempo de contemplação só meu, foi bom por um longo período. Confesso que resisti no início, tinha aquele instinto que gritava no meu cérebro dizendo para não seguir em frente, para continuar com a barreira. Demorou, mas a vozinha irritante que me dizia para ir em outra direção foi ficando cada vez mais fraca e acostumei-me a não ser mais sozinha. Acostumei-me a ter alguém.
Engraçado que justamente quando isso aconteceu percebi que meu instinto de auto-preservação estava certo. Não há irmãos por conveniência. Pode ser bobagem o que vou falar agora, e me repudiaria no passado por dizer isso, mas vou falar mesmo assim: O sangue acaba prevalecendo. É triste, eu sei.
Não adianta tentar suprir uma falta com outra peça que não pertença ao mesmo quebra-cabeças. Demorei para perceber isso, mas hoje vejo com clareza.
Nada pode suprir um irmão de verdade. Não sinto falta de ter um -ok, só as vezes-, aprendi a ser assim e gosto do que sou hoje. Fiquei decepcionada comigo mesma por ter me permitido acreditar em algo que nunca acreditei antes. Decepcionei-me comigo mesma, essa é a verdade.
Minha companhia não me deixou, ela simplesmente seguiu seu caminho, e, infelizmente, ele não cruzava com o meu do jeito que imaginei. Continuo minha jornada em minha própria companhia, tudo bem.
O que me doeu foi ter caído na real, mas isso não importa mais agora.
Não culpo meus pais por terem tido apenas um único filho, agradeço por esse presente que me deram. Não culpo meu irmão honorário por seguir seu caminho com sua família. Não culpo nem mesmo a mim mesma por ter deixado a guarda baixar. Ninguém teve culpa.
Esse processo todo me fez ver que, ao escrever esse texto, deixo as mágoas para trás e enxergo minha figura seguindo feliz por conta própria, não preciso mais de outras crianças para entrar na brincadeira. Crio meus jogos e consigo jogar sozinha. Não vou mentir que sinto falta de algo dentro mim, eu sinto, mas ainda não encontrei a peça que se encaixe perfeitamente na tal vaga. Por tanto, não me sinto mais mal por ter acontecido o que aconteceu, foi natural... Já era esperado, só eu me neguei a ver.

Nenhum comentário:

Postar um comentário