Dizem por aí que quando houver uma bifurcação você deve pegá-la. Só esqueceram de mencionar qual.
O começo das coisas é sempre bom, aquela excitação maluca que te faz arquitetar milhões de "E se..." e imaginar que o futuro é um mar de rosas a ser explorado. Então, para atrapalhar todos os planos de uma vida feliz regada à tacinhas de champagne -à la Val Machiori- vem a tal da bifurcação, que te obriga a tomar uma decisão sem direito a ajuda dos universitários e nem os 30 segundos do Faustão.
A agitação do primeiro passo dá lugar há insegurança e os "E se..."s aumentam na velocidade da luz.
Até porque quem consegue decidir assim de bate e pronto o futuro? Quem tem idade suficiente pra tomar uma atitude que, as vezes, exige da gente experiencia de anos vividos? Te afirmo agora, que ninguém tem e nunca vai ter, pelo menos, não na hora que tem que tomar a bifurcação.
Só que você, decidido como gosta de se afirmar diz que não tem medo disso, a maturidade é questão de personalidade e por fora o seu sorriso confiante continua no rosto sem se abalar. Mas lá dentro do seu âmago aqueles dois caminhos metafóricos te amedrontam a ponto de querer ligar para a tua mãe. Mas dessa vez, mamãe desligou o celular e está na sua conta. E agora, José?
Meu amigo Carlos D. não sabia a resposta e nem você vê. Não adianta colocar o óculos, esfregar os olhos e dilatar bem as pupilas, a resposta não está naquela maldita divisão na sua frente, está -por mais clichê que isso seja- ai dentro daquilo que os Doutores chamam de crânio, mas os poetas gostam de poetizar e chamar de essência.
Você, então, se "Encaetana-se" todo e quer encontrar a respostas no versos. Ok, você já sabe onde encontrar a reposta, mas e se ela for os dois caminhos e nenhum ao mesmo tempo? Xiii...
Dito pelo não dito, você mete as caras e dá um passo em direção a qualquer caminho da bifurcação, deixando a vida te levar como se seu nome fosse Zeca Pagodinho e tu cantasse samba. O futuro é seu e se for pra dar errado que o responsável seja você mesmo, não a mamãe por não ter atendido o celular, só que, por precaução, você manda uma mensagem de texto rápida antes de dar qualquer passo perguntando: "E se der errado, mãe?". Só que ela demora pra responder.
Mesmo com a pulga atrás da orelha e uma covardia desmedida que te faz ter vontade de voltar correndo pra casa, você sente lá no fundo aquela agitação na boca do estômago. Não é a gastrite que você teima em piorar com goles e mais goles de café. É o começo, de novo.
Aquele passo cheio de desconfiança te levou aquela sensação deliciosa do começo. Aaaah, agradeça aos Deuses por tal dádiva da escolha. Ou melhor! Agradeça a Vida por tal traquinagem. Graças a ela, você não correu o risco da monotonia e chatice dos meios. Está novamente no começo, de frente para o quadro branco que vai, ou não, mudar a vida. E mais uma vez, quem tem o poder de estragar tudo é você! Deixe esse determinismo bocó de lado e pegue a caneta, vai por mim, lugar nenhum, ancestralidade nenhuma te impedem disso.
Depois de tomar a coragem de pegar a caneta, seu celular vai vibrar e a mensagem de resposta da sua mãe vai te dar inspiração suficiente pra encontrar a outra bifurcação. Depois de ler: "Então, minha criança, você vai em frente e encontra outra bifurcação.", você entende que pra começar tem que escrever "..." no teu quadro.
Acabou que tomei tantas bifurcações que esse texto foi para outro lugar, que o meu singelo "E se..." não conseguiu imaginar.
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