Jurei não querer companhia. Jurei estar feliz sozinha. Jurei não precisar de nada. Jurei que estava tudo bem não ter com quem dividir a pipoca. Jurei não querer você. Jurei por tudo que se é possível jurar que iria ser a laranja toda, sem essa história de cara metade e alma gêmea. Jurei, jurei, jurei.
Só que nessa madrugada fria do verão li uma crônica que me lembrou você. Na verdade, me lembrou o meu futuro. O futuro que eu já jurei ser com você.
Engraçado isso, não consigo manter as promessas de Ano Novo. Nenhuma delas. Quer dizer, continuo vendo Big Brother, tomando sorvete com dor de garganta, comprando batom que nunca vou usar e... Pensando em você. É sempre assim, não consigo evitar pensar em você depois de ler aquele romance, aquele thriler, aquela crônica. Não consigo evitar a vontade louca de falar para você sobre o meu dia, sobre a cor nova da parede do hall, sobre o novo filme do Woody Allen. Não consigo evitar a saudade que aperta meu peito de ouvir você rir daquele jeito solto e pegar na minha mão. Não consigo te evitar.
Odeio isso. Odeio continuar com essa ladainha de príncipe, quando sei que você não chega nem perto do sapo. Você é de carne e osso: real. Não é parte dos meus contos de fada, dos meus livros ou dos meus textos. Você existe por você mesmo, não precisa de mim te dizendo isso. Sou eu quem precisa de você pra isso.
Uma vez eu te disse que queria um amor igual ao dos livros, daqueles dignos de adaptar pro cinema e arrancar suspiros de quem visse de fora. Você riu de mim e me chamou de louca, disse pra mim em meio aquele seu sorriso de lado, que os casais dos livros eram perfeitos porque não existiam. Eles não brigavam porque alguém não lembrou do aniversário da melhor amigo do outro, não discutiam só porque ele acelerou demais na volta pra casa, não se zangavam porque ela ia pra balada com as amigas.
Na época te achei certo. Tão certo que deixei de querer aquele amor das páginas amareladas. Tão certo que abandonei as crônicas, os textos, os personagens e os autores. Abandonei minhas teorias e loucuras. Só que daí, meio sem perceber, acabei me abandonando no meio do caminho. E isso eu jurei nunca fazer.
Percebi que você estava na hora de cumprir com as promessas. As que já fiz pra mim, pra minha mãe e pra você. Para mim jurei nunca esquecer da minha essência, pra minha mãe eu jurei ser feliz e pra você jurei meu amor. Essas eu queria desesperadamente cumprir, por isso, fiz o que tive que fazer.
Voltei pros meus textos, livros, crônicas, personagens e amores platônicos. Voltei a usar o computador tarde da noite e ligar para os meus pais todos os dias. Voltei a programar viagens com as amigas e sair de noite sem você. Voltei a ser a versão que era antes de você. Tudo para cumprir minha primeira e irrevogável promessa.
O problema foi que você estava no meu presente e, eu imagina, no meu futuro, mas nunca esteve no meu passado. Quando voltei pra mim mesma, deixei você pra trás. Estava cumprindo a promessa que fiz a mim mesma, mas deixei de lado as outras duas. E acabei descumprindo todas. Não podia ser feliz sem você e seu amor. Não era eu sem você.
Só que, não deixei de te amar em nenhum minuto da minha jornada de volta. Cumpri minha promessa até o fim, só você que não.
Achei que você iria comigo, deixaria tudo por mim e me amaria sem ligar pra teorias e filosofias da minha mente conurbada. Achei que cumpriria a sua promessa e me daria a única coisa que eu jurei e cumpri: amor.
Só que você não deu. Achou melhor cair fora e não te culpo, a culpa foi minha que descumpri o acordo de não me jogar de cabeça e me perder.
Hoje, agora, descumpro outra promessa que fiz bem depois de você ter ido embora: estou lembrando de você, escrevendo sobre você e para você, estou sentido sua falta.
Não quero mais descumprir nada disso, o inconsequente da relação era você, não eu. Por isso, agora, me liberto das promessas que fiz e continuo pensando em você e querendo ter alguém pra preencher meu vazio. A partir de agora só tenho três juramentos: ser eu, ser feliz e amar alguém que cumpra suas promessas. E esses não vou descumprir. Porque já estou cumprindo.
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