Minhas mãos estão geladas como de costume, sinto que devo colocadas em baixo das cobertas ou agarra-las ao copo quente de café que está na mesinha de cabeceira. Mas, pensando bem, o café já deve ter esfriado. Por isso, as mantenho em movimento digitando qualquer bobagem que esteja passando pela minha mente, como se isso pudesse aquecê-las e impedi-las de congelar como uma estatua.
Sei que isso não faz de meus textos boas obras. Nada faz. Mas não consigo evitar, manter minhas mãos em movimento é o que mantém minha alma viva. Escrever, mesmo que bobagens, pode não aquecer meus dedos finos, mas aquece meu coração que transborda de palavras nunca ditas e inexistentes.
Falta-me a inspiração e perco o ar só de pensar na possibilidade de nunca recuperá-la. O sentir percorre minhas veias e sai por meus poros, tento a todo custo esvair tal sensação pelo movimento repetitivo de meus dedos pelo teclado. Mas não consigo. Levaram minha inspiração e deixaram a angústia.
Ou será que nunca a tive?
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