sábado, 30 de março de 2013

Sei não

Estou com medo.
Nunca disso isso antes, quer dizer, já disse, mas é diferente. Não é como naquela vez que eu disse que estava com medo do escuro da sala de cinema, não é o medo da agulha da enfermeira, não, não. Dessa vez é diferente, dessa vez estou com medo. medo, medo, medo. Será que se eu disser (escrever) a palavra várias vezes ela perde o significado e vai embora? medo, medo, medo, medo, me...
Não. Não vai.
O escuro parece bobagem comparado ao medo desesperado  que a atinge agora. Naquele momento havia uma mão para segurar e a falta de vergonha que as crianças tem, por isso foi fácil falar, admitir. Dessa vez não.
Tenho medo do próprio medo e isso é tão racional que me dá náuseas. Não saber me deixa perdida, desesperada. E saber, me deixa do mesmo jeito só que em maior escala. Saber que o desconhecido me espera é como voltar naquela sala de cinema escura, mas dessa vez não há mão para segurar ou súplica para fazer. O saber que não sei a resposta me amedronta. Fui (ainda sou?) a garotinha que sempre tem a resposta na ponta da língua, mesmo que não a verbalize. Não ter essa resposta é meu medo.
Tento entender o desespero que me invade e isso só piora. Os psicólogos dizem que para enfrentar o medo é preciso entendê-lo, mas eu não consigo (quero) entender o meu. Não é como a equação difícil, porque não tenho medo de admitir que não sei sua resposta, frustração sim, não medo. E como eu disse antes, saber é pior.
Saber que daqui um tempo meus passos vão definir minha vida em outra escala em outro tempo é... Novo.
Tenho medo de não saber lidar com isso. Tenho medo de errar, ou melhor, de não errar. De viver tão colada na margem com medo e acabar não vivendo nada. É clichê, mas é verdade.
E falando em verdade, tenho que admitir que não saber se haverá ou não uma mão pra me segurar não é o problema. Não conseguir me segurar sozinha é que me amedronta. Não quero mais depender da segurança da mão, mas não consigo me livrar da necessidade que sinto dela.
Estou com medo e isso me dá mais medo ainda.
Vou terminar aqui enquanto a insegurança é o que me consome. Não sei terminar de sentir e, por isso, não sei terminar de escrever. E, isso eu não temo.

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