Tenho
uma mania chata de fazer listas sobre tudo, tudo mesmo, desde compras no
mercado até as famosas listas de ano novo. Nessas listas mirabolantes tento
separar os meus desejos das minhas necessidades, mas nem sempre dá certo, pois,
nascer na geração onde tudo é hiperbólico tem suas desvantagens.
Uma vontade que volta e meia sempre aparece nas minhas listas é ter o talento de desenhar ou de ter um dom artístico desses bem legais, infelizmente, esse é um caso que nem aulas intensivas de artes resolveram. Entretanto, nunca me cansei de ter esperança de um dia conseguir fazer com que meu desenho de cachorro realmente pareça um cachorro. Também sempre quis poder saber prever o futuro para ter certeza do que vai acontecer e ao mesmo tempo tenho vontade de poder mudar o passado e refazer meus passos, mas percebo que se fazer isso fosse possível a vida perderia sua graça maior que é surpreender e mudar o passado seria como alterar a própria essência, sendo assim fico feliz que dessa vez o universo não conspire a meu favor.
Nos últimos tempos meus maiores desejos são poder dirigir, o que por motivos óbvios não posso ainda, e ter a liberdade de viajar por aí sem ter que me preocupar com ninguém e sem ter ninguém que se preocupasse demais comigo, mas depois eu percebi que não era a falta de liberdade que me impedia de ir para qualquer lugar quando tivesse vontade, o que me impedia de ir, dentre outras coisas, era a falta de coragem ao, pela primeira vez na vida, me ver sozinha, mais ou menos como se eu me encontrasse em um paradoxo metafórico sem fim, dividida entre querer ser ouvida sem precisar gritar e gritar sem ser ouvida.
Tirando esses desejos utópicos, idealistas e práticos, minhas listas sempre contém um alto teor de consumismo descarado que o sistema me ensinou a querer, entre os quais eu desejo a cada ano, semana e dia ter algum pertence novinho em folha e as vitrines do shopping ganham uma dose cada vez maior de “vou pedir de natal”, porém já é sabido que nem sempre minhas vontades são sanadas e os objetos da vitrine que antes eu precisava desesperadamente acabam perdendo a graça quando chega o natal, sendo assim, nesse caso a maior barreira é o dinheiro, ou melhor, a falta dele. Ou, pensando um pouco mais, o problema seja o sistema que nos ensina a consumir mais do que devemos.
Também tenho uma vontade enorme de não precisar me preocupar com nada, porque assim não precisaria estudar tanto, enlouquecer com o vestibular que se aproxima e nem pensar em ter que trabalhar para ganhar dinheiro, porém nem tudo é fácil nessa vida, portanto estudar continua sendo prioridade e necessidade para o futuro.
Mas até aí eu só queria não precisava, ao mudar o verbo tudo muda no sentido literal da palavra. Excluindo as necessidades principais como comida e moradia, classifico como necessidade qualquer objeto, pessoa ou ação que eu não consiga viver ou pensar em viver sem, nesse caso tenho que colocar no topo da lista minha família, nunca me imaginei sem o apoio dela e prefiro nem fazê-lo, além do que eu devo a ela boa parte do que eu sou hoje como pessoa. Depois, seguindo uma ordem de importância, eu necessito da leitura, seja pela dos livros, que cada vez mais entopem meu quarto e todo o resto da casa, ou pela dos gestos e imagens ao meu redor, sem isso a vida se tornaria uma mesmice sem fim. E atrelado aos livros, meus fiéis companheiros, encontra-se a escrita que sempre é a melhor válvula de escape para quando nada na vida faz sentido e a paz interior resolve tirar férias da minha mente, não escrever me transforma em uma sala de plástico no vento, porque além de ser uma forma de organização, as palavras me transformam e me eternizam enquanto pessoa.
Viver sem esperança também não teria objetivo algum, pois, quando não se tem no que acreditar não existe sentido em fazer mais nada. Acredito que um dia eu vou fazer algo que mude o mundo e nem precisa ser o planeta todo, pode ser só uma parte pequena do mundo que me cerca. Quero e preciso acreditar que as mudanças ainda estão por vir. A utopia, por mais impossível de alcançar que seja, é o que faz o mundo girar e a vida seguir em frente.
Comecei o texto desejando que um dia o querer se torne poder, mas vou terminá-lo dizendo ao contrário. Porque, infelizmente, os seres humanos têm o condão de desejar aquilo que nem sempre vai lhes fazer bem, sou um bom exemplo disso, sendo assim eu termino o texto com a esperança (minha necessidade) de que um dia as possibilidades sejam maiores e mais recorrentes que as limitações.
Uma vontade que volta e meia sempre aparece nas minhas listas é ter o talento de desenhar ou de ter um dom artístico desses bem legais, infelizmente, esse é um caso que nem aulas intensivas de artes resolveram. Entretanto, nunca me cansei de ter esperança de um dia conseguir fazer com que meu desenho de cachorro realmente pareça um cachorro. Também sempre quis poder saber prever o futuro para ter certeza do que vai acontecer e ao mesmo tempo tenho vontade de poder mudar o passado e refazer meus passos, mas percebo que se fazer isso fosse possível a vida perderia sua graça maior que é surpreender e mudar o passado seria como alterar a própria essência, sendo assim fico feliz que dessa vez o universo não conspire a meu favor.
Nos últimos tempos meus maiores desejos são poder dirigir, o que por motivos óbvios não posso ainda, e ter a liberdade de viajar por aí sem ter que me preocupar com ninguém e sem ter ninguém que se preocupasse demais comigo, mas depois eu percebi que não era a falta de liberdade que me impedia de ir para qualquer lugar quando tivesse vontade, o que me impedia de ir, dentre outras coisas, era a falta de coragem ao, pela primeira vez na vida, me ver sozinha, mais ou menos como se eu me encontrasse em um paradoxo metafórico sem fim, dividida entre querer ser ouvida sem precisar gritar e gritar sem ser ouvida.
Tirando esses desejos utópicos, idealistas e práticos, minhas listas sempre contém um alto teor de consumismo descarado que o sistema me ensinou a querer, entre os quais eu desejo a cada ano, semana e dia ter algum pertence novinho em folha e as vitrines do shopping ganham uma dose cada vez maior de “vou pedir de natal”, porém já é sabido que nem sempre minhas vontades são sanadas e os objetos da vitrine que antes eu precisava desesperadamente acabam perdendo a graça quando chega o natal, sendo assim, nesse caso a maior barreira é o dinheiro, ou melhor, a falta dele. Ou, pensando um pouco mais, o problema seja o sistema que nos ensina a consumir mais do que devemos.
Também tenho uma vontade enorme de não precisar me preocupar com nada, porque assim não precisaria estudar tanto, enlouquecer com o vestibular que se aproxima e nem pensar em ter que trabalhar para ganhar dinheiro, porém nem tudo é fácil nessa vida, portanto estudar continua sendo prioridade e necessidade para o futuro.
Mas até aí eu só queria não precisava, ao mudar o verbo tudo muda no sentido literal da palavra. Excluindo as necessidades principais como comida e moradia, classifico como necessidade qualquer objeto, pessoa ou ação que eu não consiga viver ou pensar em viver sem, nesse caso tenho que colocar no topo da lista minha família, nunca me imaginei sem o apoio dela e prefiro nem fazê-lo, além do que eu devo a ela boa parte do que eu sou hoje como pessoa. Depois, seguindo uma ordem de importância, eu necessito da leitura, seja pela dos livros, que cada vez mais entopem meu quarto e todo o resto da casa, ou pela dos gestos e imagens ao meu redor, sem isso a vida se tornaria uma mesmice sem fim. E atrelado aos livros, meus fiéis companheiros, encontra-se a escrita que sempre é a melhor válvula de escape para quando nada na vida faz sentido e a paz interior resolve tirar férias da minha mente, não escrever me transforma em uma sala de plástico no vento, porque além de ser uma forma de organização, as palavras me transformam e me eternizam enquanto pessoa.
Viver sem esperança também não teria objetivo algum, pois, quando não se tem no que acreditar não existe sentido em fazer mais nada. Acredito que um dia eu vou fazer algo que mude o mundo e nem precisa ser o planeta todo, pode ser só uma parte pequena do mundo que me cerca. Quero e preciso acreditar que as mudanças ainda estão por vir. A utopia, por mais impossível de alcançar que seja, é o que faz o mundo girar e a vida seguir em frente.
Comecei o texto desejando que um dia o querer se torne poder, mas vou terminá-lo dizendo ao contrário. Porque, infelizmente, os seres humanos têm o condão de desejar aquilo que nem sempre vai lhes fazer bem, sou um bom exemplo disso, sendo assim eu termino o texto com a esperança (minha necessidade) de que um dia as possibilidades sejam maiores e mais recorrentes que as limitações.
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