Nós conversamos. Rimos. Choramos de rir. Conversamos de novo. Rimos mais um pouco.
Eu tenho você, não tenho? Não.Você me tem? Não. Não tem.
É por isso você não me pertence, porque você nem eu nos permitimos pertencer à outra pessoa. Somos só nós em nossas individualidades, só você, só eu.
Não te cobro isso, essa coisa de amor e amizade, nunca cobrei nesse pouco tempo, nunca vou cobrar. Você não me cobra de volta. Tá tudo ótimo assim.
Você não se envolve nem eu, tudo não passa de conversas banais e risadas. Você faz planos comigo, mas nós sabemos que eles não vão acontecer. Não enquanto eu e você continuarmos assim: sem nada.
Nada no sentido de não termos nada. Nada nos liga para a eternidade, nada é o que somos. Somos isso, porque queremos assim. Ou não?
Eu quero. Você também, eu tenho certeza.
O problema é que não é questão de querer ou não, é uma questão de precisar se esconder. Precisar a todo custo continuar com a máscara que nos cobre, continuar com as relações forçadas, continuar com tudo isso que nós juramos repudiar. Hipócritas, não?
Você e eu não somos pra sempre. Eu sei disso. Sou boa em fingir, em mascarar meu coração, minha essência. Mas eu espero, com todo o resto de esperança que ainda me resta, que isso mude. Espero que mude pra você também. Mas isso não acaba com o fato de que não somos pra sempre, porque mesmo que as máscaras sejam arrancadas à força da realidade nós continuaremos na mesma, sem saber quem somos de verdade. O que somos de verdade.
Pra você que tanto gosta da realidade, eu tenho um lamento a fazer: eu não te conheço, nem você me conhece. Somos estranhos que se falam todos os dias. Estranhos que estão juntos no mesmo barco e nem se dão conta disso. Somos e-s-t-r-a-n-h-o-s. Isso aí, somos isso.
Eu não quero te prender, gosto de você assim livre, mesmo que essa liberdade seja tão forçada e falsa como as nossas conversas e risadas.
Você é o passarinho da janela que tem o canto mais triste e belo de todos. O passarinho que me causa estranhamento, que me incomoda. Você está na minha janela e não na minha gaiola. Você é livre, triste e forte. Mas acima de tudo, você tem a coragem que eu tanto queria ter. É por isso, que eu te admiro da janela da tua alma sem me importar em achar a chave para entrar. Gosto de você assim, e eu sei que você gosta de mim assim. Só da janela.
Não somos nada e consequentemente somos tudo.
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